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"Tanto choro e pranto A vida dando na cara Não ofereço a face nem sorriso amarelo Dentro do meu peito uma vontade bigorna Um desejo martelo" Martelo Bigorna - Lenine Nas caixinhas... 01/09/2009 a 30/09/2009 01/05/2009 a 31/05/2009 01/04/2009 a 30/04/2009 01/03/2009 a 31/03/2009 01/01/2009 a 31/01/2009
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No fundo ela sabia que devia começar por admitir o quanto era fraca. Poucos e rápidos flashes da noite anterior giravam em sua cabeça num carrossel maluco e assombrado. Príncipes viravam palhaços medonhos empunhando objetos cortantes. Então ela caminhava sozinha por uma rua desconhecida, sem documentos e sem um real no bolso.
No fundo ela sabia que quem a cortava lenta e profundamente, só para ver com que intensidade o sangue podia jorrar, era ela mesma. A cada ferida uma nova experiência. Em cada parte perfurada o sangue corria de um jeito diferente.
Mas é que, no fundo, ela sabia que a dor dos cortes era infinitamente menor do que aquela que ela sentia antes. Depois da terceira tequila era até difícil sentir o corte. E ver o sangue rolar fazia com que ela esquecesse o que ardia nela de verdade. Ela poderia dizer mais tarde que era experiente e resistente à dor.
Mas no fundo ela sabia que apesar de ter tentado mudar uma vida inteira em poucas noites, ela continuava a fazer o que sempre fez. Escondia suas máculas sob um belo vestido antes de se cortar novamente para fazer a dor passar.
Mas agora, ela também sabia, estava mais só do que nunca.