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Luiza


"Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo"

Martelo Bigorna - Lenine
 
 
 
 

"Benzinho eu ando pirado/ Rodando de bar em bar..."

No fundo ela sabia que devia começar por admitir o quanto era fraca. Poucos e rápidos flashes da noite anterior giravam em sua cabeça num carrossel maluco e assombrado. Príncipes viravam palhaços medonhos empunhando objetos cortantes. Então ela caminhava sozinha por uma rua desconhecida, sem documentos e sem um real no bolso.

No fundo ela sabia que quem a cortava lenta e profundamente, só para ver com que intensidade o sangue podia jorrar, era ela mesma. A cada ferida uma nova experiência. Em cada parte perfurada o sangue corria de um jeito diferente.

Mas é que, no fundo, ela sabia que a dor dos cortes era infinitamente menor do que aquela que ela sentia antes. Depois da terceira tequila era até difícil sentir o corte. E ver o sangue rolar fazia com que ela esquecesse o que ardia nela de verdade. Ela poderia dizer mais tarde que era experiente e resistente à dor.

Mas no fundo ela sabia que apesar de ter tentado mudar uma vida inteira em poucas noites, ela continuava a fazer o que sempre fez. Escondia suas máculas sob um belo vestido antes de se cortar novamente para fazer a dor passar.

Mas agora, ela também sabia, estava mais só do que nunca.


Um delírio de Lu transcrito às 18h15 [ ] [ espalhe!!! ]




[ No fundo do baú... ]